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" França Imortal "
(Aos que mantiveram a França de pé,
como
soldados da Resistência)
França! França imortal! Nunca serás vencida!
Creio em Ti, e esta crença é toda a minha fé!
Um povo como o teu não cai nem se intimida
enquanto um teu soldado ainda restar com vida,
enquanto um filho teu ainda existir de pé !
França! França imortal! Teu nome é uma trincheira!
Tua História um caminho entre os louros e as urzes!
Teu gênio não perece... E' a invisível bandeira
que se desfralda e envolve a humanidade inteira
sobre os gritos da guerra e o silêncio das cruzes
França! França imortal! Pátria da liberdade!
O mundo em procissão, contrito, te acompanha,
olhos postos no céu, na tua claridade
que é como a luz de um sol dourando a imensidade
numa alvorada eterna no alto da montanha!
Flâmula do Direito eterno e imponderável
hasteada em funeral por sobre o caos profundo.
França! - diante da vaga bárbara e implacável,
tua alma é essa muralha erguida, inquebrantável,
preservando a cultura e sustentando o mundo!
Imortal Partenon! Cenáculo de heróis!
Cada golpe traiçoeiro contra ti, parece
que o recebemos na alma, em cheio, contra nós,
e a terra, num reflexo doloroso e atroz
sentem por toda parte e se abala, e estremece!
França! França imortal! França fraternidade!
Em meio do revés de orquestrações wagnéricas,
talvez te faça bem a solidariedade
deste hino em teu louvor, de toda a mocidade
que se exalta por ti no solo dos Américas!
Cada palmo de terra teu que se estraçalha,
cada ferida aberta a sangrar tua carne,
faz-nos odiar também a inconsciente metralha
que condecora o chão dos campos de batalha
com os corpos dos heróis da Flandres e do Marne!
Treme teu solo ao casco e à fúria do invasor!
Vacila o mundo em transe ante um ideal corrupto!
França, não morrerás! - Por ti, por teu amor,
se do mastro descesse o pendão tricolor,
os povos hasteariam seus pendões de luto!
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França! França imortal! Não cairás, oh! França!
Que seria de nós perdida esta esperança
quem viveria ainda se esta fé morresse?
- Se o sol, dentro dos céus, num fatal desenlace
rolasse no infinito e em sombras se perdesse?!
Que silêncio, meu Deus, se a França silenciasse!
Que vazio ao redor, que deserto sem termo,
que calma sepulcral, que solidão, e que ermo
neste mundo de sombra, e martírio, e terror...
Que angústia sem igual, que inconsolável dor
se o coração da França enregelasse um dia,
e a sua alma cedesse ao jugo e à tirania!
Se o futuro nublasse um passado de glória,
se seus filhos rasgassem sua própria História,
e sem se conhecer, vilipendiada e presa
já não pudesse mais cantar a "Marselhesa"!
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França do nosso amor! França latinidade!
Somos todos gerados do teu Ser fecundo!
Por isso, - crer em Ti, - é crer na humanidade,
na justiça e na lei, na paz, na liberdade!
França! França imortal ! Pátria do Mundo!
( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " 1a edição - 1945 )
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