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" Estranho Amor "
(
À Délio Porto - 1940)
Amas a tua terra porque a fecundaste!
Foi teu suor
caindo sobre os chãos enxutos
que por milagre a fez se revelar maior
na alegria das flores!
no esplendor do frutos!
Defenderás por isso o teu chão, o teu trabalho
e o teu honesto labor,
e por eles, bem sei, derramarás teu sangue
se preciso for...
- Atua mão grossa e rude encheu os campos de sementes
e os ares de penachos louros e contentes,
e pela tua terra é tanto o teu amor
que os frutos sazonados parecem ter teu sangue
no esplêndido da cor!...
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Agora...
- tu que defenderás a alegria das flores
e o esplendor dos frutos
que fizeste brotar
da carne tépida da terra
- por que deixas partir, sem protestar, teu filho
para a guerra!?
Seja lá como for,
é estranho o teu amor . . .
( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " 1a edição - 1945 )
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