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" Depois "
(A
Erich Maria Remarque - 1939)
E as ruas se encheram de inválidos e mutilados
com seus estranhos vultos...
E as mulheres de preto, como espectros insepultos
de maridos,
de filhos,
de pais,
de noivos
e namorados,
levavam velas acesas dentro dos olhos parados...
E os caminhos caíram nas pontes desconjuntadas,
e os campos se encheram de feridas e cicatrizes,
e as árvores voltaram para os céus a angústia
das raízes!
E os oceanos levantaram ondas asmáticas
como se dentro delas lutassem as ânsias
de todos os afogados à procura de ar!...
E os céus se cobriram de véus negros de fumo
como quem venda os olhos
para não olhar!
E brotaram cidades de sombras e cruzes
nas ruínas das cidades viradas do avesso,
... pelos ermos, descampados...
E as chaminés pararam de fumegar
sobre os telhados,
e após o sobressalto das noites e das correrias
todas as portas se cerraram sobre o gemido dos vivos
como pálpebras frias! . . .
E as igrejas se encheram de criminosos reincidentes
e arrependidos
com as almas pesadas como as águas salobres,
se encheram dos homens que pensam que crêem
em Deus!
E as vitrinas da Vida se esvaziaram
para encher as vitrinas dos museus!
E em cada esquina ficou um lenço tinto de vermelho
com a cruz dos hospitais,
como a clamar aos homens que batiam com os cascos:
_ " Paz !... "
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E o homem de galões, com o peito cheio de insígnias,
e medalhas,
tendo ainda no ouvido o ruído das metralhas
e o roncar do canhão,
- saiu correndo, louco, a gritar pela Pátria !
Queria encontrar a PÁTRIA
para pedir perdão!
( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " 1a edição - 1945 )
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