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" Confissão "



Não é que eu queira automóveis
nem apartamentos
nem mulheres alheias
e inveje os homens ricos
que nunca notaram que estão vivendo
porque nunca tiveram medo do mundo...

Não é que eu queira ter a minha mesa
a minha cama
a minha casa
a minha mulher
o meu automóvel...

Porque eu posso andar de ônibus que é o automóvel
de todo mundo,
e como na pensão da Rubina
onde pode deitar a comer
todo mundo
( ou quase todo mundo)
e eu tenho os cafés, as ruas, os bancos, os jardins
e as mulheres
de todo mundo...

Não é por nada disso, poderia ser, mas não é...
é que hoje acordei com aquela alma triste
cheia de interrogações
desejos
e segredos
da criança pobre que parou diante de uma vitrine
da casa de brinquedos...

(
Poema de JG de Araujo Jorge - extraído
do livro "O Canto da Terra" - 1945)

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