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" Canto da Raça "
(A
José Aldo Palmeira- 1940)
Eu me orgulho da minha raça tostada de sol e de luz
que tem alvoradas líquidas nas veias
ferro nos músculos
e claridades tropicais nos pensamentos!
- mistura de noites sensuais e dias livres
na retorta da América!
Eu me orgulho da minha raça ter nas mãos
a bússola de seu destino
e traçar seus caminhos
e carregar com a imensa responsabilidade
de ter gênio e caráter!
Eu me orgulho da minha raça,
- ela é a chama que queima
o calor que vive
quando o amor acende o cascalho e o carvão
de todas as raças!
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Eu me orgulho de ser tostado de sol de luz
de ser mestiço como as terras férteis,
de ser grande e selvagem
bárbaro e impuro!
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Porque eu tenho uma pena infinita dos homens
brancos como a neve
e frios como a neve
que tem veias azuis...
Eles precisam ser tostados de sol e luz
para não baterem com os pés
e não erguerem as mãos
como bonecos autômatos, sem vontade...
Eles precisam aprender a falar, a ter víceras,
e sangue
e músculos
e cérebro
e coração, humanos,
porque eles vivem nos joelhos dos ventrículos
e só sabem dizer:
- Nós somos arianos! Nós somos arianos! Nós somos arianos!
( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " 1a edição - 1945 )
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