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" Canção Para Meu Filho "

                                       (1944)

Meu filho há de ter forças para não precisar seguir
nos grandes rebanhos...

Meu filho há de amar acima de tudo a terra, a terra que lhe
          [dará o pão
a terra onde erguerá sua casa,
a terra onde seus filhos correrão,
a terra que seu pai sempre exaltou e onde repousará feliz...

Meu filho há de chamar de irmão ao seu vizinho e aos homens
         [que moram
nas terras mais distantes,
e há de ensinar aos outros homens o amor da terra,
fazendo-os ouvir a música recôndita e inorquestrável
levando-os até a beleza ignorada e intraduzível,
repartindo com eles o pão, o pão branco e macio,
brindando com a água pura a suprema paz imperturbável..

Meu filho, há de odiar por isso, todos os que destroem a terra
amaldiçoam seus frutos
e ignoram seus filhos,
e os que nunca chegarão ao céu porque nunca pisaram
na terra...

Por isso, meu filho não adorará deuses nem homens, mas a
    [água que corre da terra
e a vida que nasce da terra: o pão!

Por isso, serão seus irmãos os homens todos que trabalhem,
        [que ergam casas
que façam filhos,
e bendigam a alegria da paz no templo imensurável...

Porque eu hei de acreditar na humanidade, pela voz do meu
        [sangue redimido
em meu filho!



(
Poema de JG de Araujo Jorge - extraído
do livro O Canto da Terra - 1945)

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