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" Canaã "
(À
Armando Pacheco-1939)
Para aqui. . . vieram todos os perseguidos
os desprotegidos
os desgraçados,
vieram de todos os cantos, de todos os lados
para aqui...
Os veleiros trouxeram nos bojos a ralé,
os homens sem destino,
as almas aventureiras,
e soltavam aos céus as velas brancas, manchadas
com a cruz de duas tíbias
e o crânio nu das caveiras!
Homens maus, homens bons
sedentos de fortuna ou de esquecimento
dos mercados novos
ou dos sertões;
homens bons, homens maus,
evadidos do caos
arrostando a grandeza dos oceanos
fugidos de uma Europa infestada de césares
e tiranos!
Para aqui vieram todos, todos abraçados
como seres humanos,
brancos, pretos, e até amarelos
veio assim toda gente
das terras de ali perto
ou das terras distantes e exóticas do Oriente...
E na fornalha do Novo Continente
a maldade dos homens brancos
acendeu uma raça côr de chama
em chamas,
e trabalhou a queimada com a raça côr da noite,
raça boa, que tudo dava sem pedir
e recebia o açoite!
Pai João! Pai João!
da grandeza da América foste a alma e a energia
e na fornalha do Novo Mundo, entre chamas vermelhas
de agonia,
foste o carvão!...
( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " 1a edição - 1945 )
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