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"
Brinquedos "
                                 (A Maria José de Menezes - 1939)   



Ali, em frente ao grande palacete,   
nas grades de um jardim   
dependurados,    os a
como pardais nos fios descansados,   
- os molecotes da rua       
de olhos vivos,   
ficam fitando a festa dos brinquedos   
como quem olha um mundo imaginário:   

- tambores... bicicletas...aeroplanos
soldadinhos de chumbo e de madeira,
com que passam brincando a tarde inteira   
os filhos de um senhor, milionário   
       
Olhos vivos       
gulosos e distraídos,   
à alegria das crianças mais felizes   
eles riem também, ingenuamente,
- da tosca bola de meia,
do papagaio de papel da venda,
completamente esquecidos,
- completamente...

Depois,
quando as amas carregam para dentro
os meninos ricos
que não apanham sereno,
eles seguem com os olhos os brinquedos:
- os soldadinhos que um vai carregando...
- a espada que aquele outro acena no ar...
- o tambor que um terceiro vai tocando...
E a meninada da rua fica olhando... fica olhando...
e vê tudo fugir ao seu olhar...
...................................................................................................

Hoje... depois que os anos vão rolando
sobre injustiças e desigualdades
sei que tudo na vida é mesmo assim:
- há os que vivem trepados pelas grades
e os que podem brincar pelo jardim! . . .


( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " 3a edição - 1965
)

- Obs. na 1aed. 1945 e 2aed. 1955 o poema
fora dedicado à Nicolau Antônio Noé -

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