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" A Volta do Camponês "
( A José Queirós Júnior-1940 )
Outrora, por estas terras, uma estrada desenrolava
pacificamente
o seu novelo de paisagens bucólicas,
e havia cantos, e havia vozes,
e automóveis velozes,
e carros pachorrentos
indo e vindo, pelas tardes quietas e melancólicas
lentos... muito lentos...
Outrora, sobre aquelas águas que ainda hoje
não cessaram de rolar
ligeiras
- mas que riam - e agora parecem chorar,
havia uma ponte, uma ponte que era como uma pulseira
que o progresso ofertara
ao braço branco do rio de água sonora e clara...
E do outro lado, junto ao seio da colina
que arqueia, numa suave claridade,
é que ficava a cidade...
Era de ver, a grande praça aos domingos, contente
e sempre cheia,
ou nos dias de semana, monótona, tranqüila,
- tão linda a praça da vila...
E subindo as encostas, debruando as ruas:
o casario
com seus telhados de côr e seus penachos de fumo. . .
- como se cada rua fosse um rio
vermelho, descendo pelas encostas
sem rumo...
Outrora, - ( até parece no outro dia,
- se eu cerrar os meus olhos sou capaz de crer
nestas lembranças,
- e de escutar, quem sabe? a algazarra, a alegria
das crianças...)
- Se eu cerrar os meus olhos, sou capaz de ver,
o dia em que me chamaram
o dia em que eu parti
e os dois olhos embaciados que ficaram
me acompanhando,
e a criança que acenou as mãozinhas, chorando
e que eu nunca mais vi
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Chamaram-me e eu fui. Disseram-me que eu ia
para a guerra,
(que guerra?)
- que eu ia defender a minha terra
e era preciso lutar,
que a pátria me chamava, e que eu defenderia
meu trabalho, meu lar
Chamaram-me e eu fui . . . matei voltei...
Por que deixaram-me voltar?
Antes ficasse, se já não encontro
a terra que deixei,
se não tenho trabalho e se perdi meu lar...
Voltei... por que deixaram-me voltar?
( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " 1a edição - 1945 )
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