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"
Asas  do  Brasil "
                                      (   À Força Aérea Brasileira
                                         e ao Correio Aéreo Militar )


Ei-las juntas no espaço, - asas em revoadas
cirandando na altura ou planando no azul,
desdobrando nos céus invisíveis estradas
e acordando a cantar o sono das quebradas
sob o signo estelar do Cruzeiro do Sul.

O seu canto viril é o ronco dos motores -
hino estranho e sem letra a ressoar nos céus!
Asas fortes, irmãs das asas dos condores,
herdeiras do destino dos conquistadores
que não buscam no entanto a guerra e seus troféus !

Outra é a sua missão, mais nobre e mais humana,
devassando o horizonte e procurando o além:
- seu vôo, num abraço, o mundo inteiro irmana,
e a Pátria, sob a sua sombra soberana
trabalha mais feliz sem recear ninguém.

Marcharão pelos céus como novas "bandeiras"
e fundarão cidades para além das serras,
encurtando os caminhos sobre as cordilheiras
serão vivas mensagens sempre alvissareiras
chegando ao coração das mais longínquas terras.

Ressurreição de heróis, bravos itinerantes,
missionários de credos de brasilidade,
sobrevoam as plagas verdes mais distantes
e dominando o espaço em todos os quadrantes
asseguram a eterna força da Unidade.

Asas moças da Pátria, símbolos bravios
de ímpetos juvenis e entusiasmos sagrados,
lá se vão pela altura a acompanhar os rios
e a lançar sobre a terra audazes desafios
na canção dos motores, fortes, sincopados.

Vendo-as, por esses dias de ânsias e de crises,
em formações, no azul, serenas e velozes,
penso no seu futuro e em suas diretrizes:
- agora, trabalhando em comunhão, felizes,
depois, em plena guerra, em confusão, ferozes!

Era um sonho de Paz o que sonhou Dumont
libertando-as assim, mais alto que as montanhas;
ele, o gênio imortal, humaníssimo e bom
há de ouvir do Infinito o ronco surdo e o som
dos motores batendo em pulsações estranhas.

Corações do Brasil nos rudes peitos de aço
dos aviões, que em cadência, alteiam-se no espaço,
e lá se vão nos céus, na simbolização
de um povo forte e bom que crê na Paz do mundo,
e no Amor, que no ventre azul do céu profundo
gerou as asas livres do primeiro avião!



( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" O Canto da Terra " 1a edição - 1945 )


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