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" Um Tema Banal e Duas Variações "
Um Tema Banal e Duas Variações
I
Por que falar da Vida? A Vida é a Vida...
É esse andar sem sentido e sem resposta...
Sobes ou desces por estranha encosta
que esta sempre entre nuvens escondida...
Que adianta perguntar se a gente gosta?
Se esta é a vida que tens, se é a tua vida,
não a deixes passar despercebida,
nem a jogues num lance, ou numa aposta...
É tua! Boa ou má, - ela é teu par !
Vive-a portanto... E após tê-la vivido,
podes te dar ao luxo de sonhar...
A Vida é a Vida... Vai vivendo então!
Que importa o muito em sonhos perseguido ?
Importa é o pouco que tu tens na tua mão !
II
Um dia,
sem to perguntarem se a desejavas,
se a querias assim, se ficarias satisfeito;
se esses seriam os pais que escolherias
ao teu jeito;
se essa era a cara que gostarias de ter:
(o nariz, os olhos, os cabelos) ;
se esse era o tempo que preferias:
(o século da bomba atômica e dos astronautas) ;
se essa era a terra onde desejarias ter nascido:
( o Brasil, do Chuí até o Oiapoque) ;
vieram te entregaram:
- toma ! Essa é a tua vida! Vive-a !
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E como não tens mesmo poderes
para discutir, para escolher,
e é a única oportunidade que com certeza te deram
para ser,
- toma-a! É como se a tua Vida fosse a tua compulsória
"filha adotiva"!
E se queres um conselho, não a deixes perder-se
por ai, a esmo,
procura ser afinal
um bom "pai" ou uma boa "mãe" para ti mesmo!
(Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" Cantiga do Só " 2a edição 1968 )
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