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"
Praia Minha "

   

Nesses dias de chuva a praia é minha
o mar é meu !

Eu só, venho à orla do mar
para conversar.

E nessas tardes nevoentas de vento e de chuva
o mar sombrio a triste parece que se humaniza
e quer também se comunicar.

Os homens passam longe, nas calçadas molhadas,
os automóveis distantes, são estranhos animais
deslizando velozes.

Raros e exóticos banhistas partilham comigo
(na Praia que cresceu vazia e enevoada)
as vagas, mansas vagas, que em arrulhos de gata
vem rosnar aos meus pés...

Como é bom andar sozinho pelas cinzentas areias
com a estranha sensação de que tenho na boca, salgado,
o gosto da liberdade,
e ficar assim a olhar o mar, um mar sem espumas
na praia da noite...

Bem que percebo os olhares surpresos de alguns
(transeuntes friorentos, aconchegados . . .

Sigo só e feliz.

Vou a praia nessas tardes, antegozando a sua posse
com um exclusivismo de amante e apaixonado.
Nesses dias, meu dialogo com o mar
é tão claro, é tão puro,
que eu posso ler seus poemas rabiscados
na areia e declamar para ele os meus poemas, de cor...

Nesses dial de chuva a praia a minha!
O mar é meu!

- Que beleza !


(Poema de JG de Araujo Jorge -  do livro
" Cantiga do Só  "  2a edição 1968 )


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