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" O Galo Branco "
De repente,
na noite escura,
molhada e nua,
noite sem lua,
meu passo estanco...
Junto a um telhado
negro e orvalhado
que havia em frente,
no alto de um muro
misterioso
como o futuro,
um muro negro,
um muro branco
na madrugada
ainda velada,
surgiu um galo
- um galo branco.
Branco e imponente
no alto do muro,
peito estufado,
batendo as asas,
jogral da noite
antes do fim,
- sobre os telhados
quietos das casas
vibrando as notas
do seu clarim!
Depois .sumiu
como surgiu
na noite escura
sobre o telhado
negro e orvalhado,
levando a noite,
levando o canto,
- mais do que o canto,
levando o espanto
mudo, parado,
deste meu canto
desesperado...
(Poema de JG de Araujo Jorge - do livro
" Cantiga do Só " 2a edição 1968 )
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