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"
Irmã Chuva "

   

Irmã chuva, com teu manto de cor cinza
teus olhos embaciados,
teus gestos mansos,
solidária com as nossas tristezas e as nossas fadigas...
Que acaricias o nosso tédio com teus dedos molhados
e embalas nosso coração sussurrando baixinho
doces cantigas...

Irmã chuva, que pareces ter pena de nós,
velando por nós através das vidraças,
que até choras por nós
que não sabemos chorar,
e tão suavemente à nossa porta
passas...

Irmã chuva, que sempre vens quando ficamos doentes
de sol
ou de alegrias,
exaustos de verão e de calor,
e que com teus gestos suaves e compressas frias
alivias nossa fronte ardente
e adormeces nosso amor...
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Irmã chuva... Que bom teres chegado, assim tão calma,
parece que adivinhaste a aflição da minha alma...
Ainda bem que, mansamente, e inesperadamente,
vieste me ver...
Irmã chuva, que aconchegas o coração da gente
e cantarolas para a gente adormecer...


(Poema de JG de Araujo Jorge -  do livro
" Cantiga do Só  "  2a edição 1968 )


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