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"
Gula "

   

Dia de aniversário: a casa em festa. A gente
a namorar no armário o bolo imaculado...
Que suplício esperar angustiosamente
a hora em que ia ser finalmente cortado...

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Ah! o olhar do garoto, a olhar gulosamente
lá na curva, onde o rio é fundo e sossegado
o corpo da cabocla a surgir de repente,
nuzinho como um fruto! e bom que nem melado!

Defender tal "pecado", em verdade não ouso,
mas condenar também, às vezes, desconcerta,
pois confesso que a gula é um pecado gostoso...

Depois... Quem poderá dizer que está pecando
a criancinha ao buscar com a boquinha entreaberta
no aconchego do colo... o seio sazonando?!


(Poema de JG de Araujo Jorge -  do livro
" Cantiga do Só  "  2a edição 1968 )


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