
![]()
*****************************************
" Poema ao Turista e à Kodak "
Oh, o prazer de ser um desconhecido, - turista de algumas horas
e de alguns dias,
Olhos escancarados para todas as coisas
E para todas as alegrias,
- encontrando um encanto novo em cada rua, em cada esquina,
em cada rosto que cruza conosco e que passa,
em cada palavra exótica e sonora, cujo sentido ignorado
não percebemos,
como as mulheres belas cujos nomes não sabemos
e cujos sentidos ainda não vimos no dicionário universal
do pecado!
Oh, o prazer de revelar todos os portos e todos os lugares
nos negativos ávidos de nossas retinas,
e desvendar aspectos e segredos
com os olhos curiosos das crianças traquinas
nos bazares
de brinquedos!
O prazer dos forasteiro, dos vagabundos, dos turistas
(improvisados artistas)
que moram nos navios
e que vem chegando e partindo, esquecidos do tempo, libertos
do cárcere monótono dos tique-taques,
e andam soltos por aí, colhendo paisagens e vistas
com armadilha dos kodaks!
.....................................................
Ó turista feliz, leva-me no quarto escuro e pequenino
da tua kodak,
escondido como um clandestino
no fundo de um porão!
que eu nasci para ter o teu destino
muito embora eu não seja um teu irmão!
( Poema de J.G . de Araujo
Jorge
extraído do livro "Cânticos" - 1941)
*****************************************![]()