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" Paris,
Viena, Budapest... "
Oh, o tédio dos mesmo cabarés fastidiosos e artificias,
sempre iguais, sempre iguais,
e dos bares emigrados onde vou exilar minha angústia
imaginando
mil fugas impossíveis que se vão sublimando...
Oh, a tristeza dessas orquestras transmigradas, desses
músicos de olhos ausentes,
dessas mulheres alegres que nunca estão contentes...
Oh, a fictícia ilusão de que por essas horas tardes, fujo um pouco
das mesmas coisas repetidas,
nas casas, onde a alegria dos letreiros acesos
põe nos lábios da noite, risos brancos de giz...
Oh, a angústia desses violinos exilados e decadentes!
Oh, a angústia dessas canções intencionais e quentes
de Paris!
Vão rolando horas bêbedas nesses bares sonolentos e acordados,
nesses bares emigrados
entre os mesmos olhos brilhantes e cansados
dos mesmos boêmios embriagados...
Lá dentro
há um violino solando de cor melodias lendárias de sua infância,
a mesma ausência, a mesma distância,
nos mesmos ritmos estranhos...
- "Olhos Negros", maestro! Que importa se ela tem dois belos
olhos castanhos?
- "Danúbio Azul", maestro! Que importa se o Danúbio
é barrento e passa longe?
Meus olhos estão azuis!
Minha alma está em Viena!
...............................................
Lá dentro
as mesmas músicas, a mesma embriaguez, as mesmas canções
- cá fora... as mesma noite irritante e serena!
Oh, a repetição das mesma fugas de todo mês
quando aos acordes daquele violino zíngaro
ou daquele piano francês,
- a beber e a cantar, iludo esse tédio imenso
e quase me convenço
de que sou feliz...
Oh, o tédio daquela música a falar de Viena!
Oh, o tédio daquele piano a sonhar com Paris!
( Poema de J.G . de Araujo
Jorge
extraído do livro "Cânticos" - 1941)
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