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Poema Nº 7 "(Nervos Paralíticos)

Quero massagens de vida para os meus nervos paralíticos,
gritos de cores pra acordar minhas pupilas apáticas e frias,
minhas retinas lunáticas
e vazias...
címbalos, clarins, violinos sinfônicos, para os meus ouvidos
órfãos de melodias
e sangue rubro e ardente para as artérias linfáticas
e para o coração.

(Sangue quente!
que circule e lateje alvoroçadamente
numa ressurreição!)

Que o corpo se reanime e renasça a minha alma,
e o movimento destrua esse tédio... essa calma
que vencem meus sentidos,
e que haja arco-íricas paisagens para os meus olhos perdidos,
e ritmos elásticos pra os meus nervos atléticos
e rejuvenescidos,
e harmonias inéditas para os meus ouvidos!

Crucificaram meus braços numa invisível cruz
e assassinaram em minhas mãos os mais sublimes gestos de luz!

E eu já não vejo nada, e já não ouço nada, e não distingo nada...
Insensibilizado, reconheço
que a minha própria vida está virada
pelo avesso!...

Dizem que ao meu redor há cores, sons e movimentos,
e claridades, e deslumbramentos,
ao meu redor...
mas meus olhos estão cegos
e as minhas mãos morreram trespassadas de pregos
e o silencio é profundo e cada vez maior!

Parece mesmo que a vida
nunca será melhor...
e vai sendo, dia a dia, lentamente esquecida,
como um trecho de história não vivida
que aprendemos de cor...


 
( Poema de J.G . de  Araujo Jorge
extraído do livro "Cânticos" - 1941) 


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