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" Poema Nº 5 " ( Nada Parece Vivo... )
Eu já não sinto os movimentos, - ao meu redor tudo petrificou-se,
nada parece vivo...
Meus olhos são "discos de Newton" confundindo as cores
e eu vejo tudo branco e inexpressivo,
tudo igual!
meus ouvidos
saturados da zoeira dos mesmos ruídos
não distinguem os sons dos instrumentos perdidos
na algazarra fantástica e inorquestral!
As cores se descoraram,
As formas não tem mais formas, se deformaram,
e os gestos
na dízima periódica infinita dos mesmos gestos
se imobilizaram...
Eu já não sinto os movimentos, - ao meu redor está tudo parado
entra ano, sai ano,
eu próprio sou um translado
cotidiano
das mesma emoções,
Oh, a necessidade inadiável de novos movimentos para os nervos
novas cores para os olhos,
novos ares para os pulmões!
Não vivo! - adormeci em meus sentidos cloroformizados
pelo tédio
no esquife de uma cidade entre homens inanimados...
Estou ausente de tudo, doente de inanição, sem alimento e remédio,
quase morto....
A vida é uma nebulosa em meu olhar absorto...
( Poema de J.G . de Araujo
Jorge
extraído do livro "Cânticos" - 1941)
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