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"POEMA
Nº 10 (As Mesmas Mulheres)"
Oh, o tédio de conhecer até as
mesmas mulheres
nacionalizadas pelo mesmo sol,
habituadas ao mesmo olhar de desejo
e adaptadas às paisagens,
- quando em mim tudo anseia, tudo deseja partir,
nesta sede de perspectivas e deslumbramentos
de Impossíveis viagens!
Onde estão os horizontes? Se eles estão perdidos e ignorados
por trás dos paredões de arranha-céus cinzentos...
Onde estão os horizontes, abrindo os infinitos braços azulados?
Quero vê-los, quero senti-los, quero abraçá-los!
(só de horizontes azuis se alimentam as minhas ânsias),
- é preciso portanto que os alcance...
Oh, a asfixia desse ar carregado e poeirento,
e o fatio dos contatos mercenários de cada momento
sem aventura e beleza,
e sem pureza
e romance...
- Onde estão os horizontes? Os horizontes onde estão?
São eles que hão de operar a grande ressurreição!
(Poema de J. G. de Araujo Jorge
extraído do livro Cânticos - 1941)
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