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"Mote Para Uma Balada Cigana"

Viver sob o mesmo teto,
só sob o teto dos céus!
- os céus que variam sempre:
agora são nus e amenos
depois se turvam de véus...

Viver sob o mesmo teto,
só sob o teto dos céus...

Tu, desgraçado, - quem és?
Destino é o dos homens livres,
que tem caminhos nos pés,
- os que exaltam seus pecados,
e por ninguém são julgados
em toscos bancos de réus!

Viver sob o mesmo teto,
só sob o teto dos céus!

A asa azul dos céus é uma asa
de proteção sobre os homens
e aberta pelos desvãos,
- é o teto da nossa casa,
a casa grande dos homens
que ainda se chamam de irmãos!

Por que matar, se esse crime
só traz  inglórios troféus?
Sejamos bons, e sigamos
como os caminhos e os rios
de olhos abertos, sem medo,
a alma sem sombras, nem véus...

E a ter sobre nós um teto,
só o teto imenso dos céus!


(Poema de J. G. de Araujo Jorge
extraído do livro Cânticos - 1941)


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