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" Liturgia "
Minha catedral é a Noite com os vitrais surrealistas das nebulosas,
ciclópicos vitrais!
e os feixes claros do luar são o espírito ático de colunas imateriais,
sustentando fantásticas ogivas;
o altar são as montanhas; as estrelas são lâmpadas votivas
sempre tremulas, sempre vivas,
acesas toda noite para velar as imagens eu rondam cá embaixo
na terra...
E o meu deus, - não tenho deus!... mas nessa extraordinária religião,
quando me faço um missionário,
o Sol, - é esse deus humanitário
onde tudo se encerra,
rezando para todos os homens a missa campal do dia
dos que trabalham a terra!
Nessa verdade eu creio, com essa luz eu me aqueço,
com esse verbo me embalo,
os meus símbolos são os pássaros, as nuvens, os ventos, as fontes,
que são livres!
- e os horizontes!
- É esse o idioma eu falo!
( Poema de J.G . de Araujo
Jorge
extraído do livro "Cânticos" - 1941)
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