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Poema Nº 6  "
( Minha Fantasia )

Certas noites insones
com os passes de mágica da minha fantasia
bêbeda e doentia,
e com a minha imaginação,
distraio o meu destino
e iludo a minha razão...

Imagino...

Imagino, por exemplo, que os postes são círios acesos
velando
o corpo frio das ruas longas, deitadas e mortas;
e os homens, almas penadas saindo e entrando
em misteriosas portas;
as casas
são tumbas rasas;

e os gigantescos vultos silenciosos
dos arranha-céus,
monumentos dos que morreram poderosos
e ergueram majestosos
mausoléus...

Coisas assim
por bem pouco
de um louco,
coisas assim,
de um doente,
doente, irremediavelmente,
de esplim...

Que eu sem querer, às vezes, pra distrair o sono e o cansaço
das minhas emoções,
e o meu olhar ausente e baço,
ansioso de visões,
crio, - pra os sentidos, brinquedos fantásticos
de fantásticas imagens
e transfigurações...

 
( Poema de J.G . de  Araujo Jorge
extraído do livro "Cânticos" - 1941) 


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