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Poema Nº 9 "
(Homens Distraídos)
Oh, o tédio de assistir sempre aos mesmos homens
preocupados ou distraídos,
transitando pelas ruas cheias,
indo-vindo, circulando
num ordeiro tropel,
como se a cidade, que se repete no espetáculo de todos os dias,
nesse girar de todos os instantes
com seus veículos e habitantes
brincasse de carrossel!
Nada sai do lugar, está tudo rodando e está tudo parado,
os mesmos movimentos, monorrítmicos, constantes,
de todas as coisas e de todos nós
na mesma direção,
destruindo a vida que nasce dos choques e contrastes
dos movimentos que vêm
com os movimentos que vão!
Oh, o tédio de concluir que uma grande cidade
(aranha a tecer no chão com os fios negros das ruas e avenidas
asfaltadas
a sua imensa teia)
com suas praias, seus cinemas, seus cassinos, - e o cosmopolitismo
do seu dinamismo,
acaba esgotada e repetida
como a vida
de uma pequena aldeia...
( Poema de J.G . de Araujo
Jorge
extraído do livro "Cânticos" - 1941)
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