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 " Ária em Sol "

E no entanto os portos estão cheios de mastros e navios
de mastros que acenam bandeiras de exóticas paragens,
de navios que confraternizam com todos os portos,
com todos os mares
e oceanos,
e com as raças mais singulares
e os mais singulares destinos humanos!

E no entanto as terras estão cheias de caminhos
e rios...
- oh, como eu amo o destino dos rios,
dos caminhos
e dos navios!

- Dos caminhos aventureiros que tem alma de criança, - caçadores
de borboletas multicores,
caçadores de pirilampos,
rabiscando de giz o quadro negro dos campos,
- quando parece giz a areia branca impregnada
de luar...

- dos rios musicais que tem alma de artista, dos rios contemplativos
irrequietos e esquivos,
procurando motivos
a cantar,
a cantar cantigas várias
das pedras tirando árias
aqui, alí,
acolá,
- árias em sol
em mi,
em si bemol
em fá;

- dos navios volúveis que tem alma de poeta, -  descobrindo horizontes e miragens,
no poema das viagens sobre o mar...



   (Poema de J. G. de Araujo Jorge
extraído do livro " Cânticos" - 1941 )

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