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Mykola Zerov
1890 – 1936
Soneto ( Sortilégio )
Da lua levantina ao sortilégio,
no coração estua o sangue ardente,
floresce o amor com ímpeto selvagem
e tudo vem no sangue: tiaras e elmos.
Ameaças implacáveis de castigos
ribombam, em trovoadas, na cisterna...
É Iokanaan... não são murmúrios suaves,
palavras são de incêndios e desertos.
E Salomé criança (que criança!)
já bebe a torva taça venenosa,
invoca a espada e a pérfida vingança.
Foge, minh'alma! Embarca. E aporta longe,
longe, onde espera, em meio às rochas brancas,
Nausica pura, esbelta como o raio.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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