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Ucrânia-Kiev-PTishchenko

P
oetas Ucranianos (Russos)


Apenas a titulo de curiosidade, tal como aconteceu
em relação aos sonetos japoneses e mesmo aos romenos,
incluímos nesta coletânea apenas três sonetos de autores ucranianos.

Apesar de integrada à União das Repúblicas Socialistas dos Soviets,
a Ucrânia possuem idioma próprio, e com ele seus escritores e poetas
vão trabalhando uma literatura de características nacionais,
refletindo aspectos históricos e culturais do seu povo.
Pauló Fylypovyteh, Mykola Zerov e Evhén Malaniuk, são poetas que
fazem parte do período do modernismo na Ucrânia, antes da
revolução comunista. Abandonaram então sua pátria. Os dois
primeiros morreram no exílio, o último ainda vive nos Estados Unidos.

Os três sonetos referem-se à figura lendária de Salomé, e os poetas
se inspiraram neste tema, ao assistirem juntos, em Kiev, em 1919,
a uma peça de Oscar Wilde.
Os sonetos foram retirados à Antologia da Literatura Ucraniana, de
Wira Selansky, editada pela Companhia Brasileira de Artes Gráficas,
do Rio, edição de 1959, com a colaboração de Helena Kolody (adaptação
poética) e Arma Maria Muriey (adaptação em prosa).
Como todos os poetas, os da Ucrânia, exaltaram sua arte e seu ofício.
Não se trata de um soneto de amor, no sentido que orientou a seleção
de trabalhos para esta Antologia, mas de amor à poesia, o soneto de
um poeta moderno - Sviatosláv Hordynsky, nascido neste século, no ano
de 1908, e que pertence ao grupo, lá denominado de neoclássicos.
(O poeta vive nos Estados Unidos).Vale a pena transcrevê-lo.
Acrescenta uma nota a mais, às poucas que conseguimos colher em tão
distantes paragens literárias. Ei-lo:

CORES e PALAVRAS

As palavras e as cores, na dança inspirada,
de igual maneira soam no ritmo melódico;
procuram associar-se, e cada pulsação
desprende-se em acorde forte e harmonioso.

Num ritmo corajoso e seguros traçadas
estremecem no verso, em murmúrio, as palavras
e a quente vibração dinâmica das cores
comunica a beleza do espaço mutável.

Elas amam da mão experiente o domínio,
quer sejam friamente, em bronze modeladas,
quer sejam argentinas, leves e sonoras;

com o primeiro amor e a aura da primavera,
dirigem os mortais que trilham os caminhos
do tédio e da rotina, à terra prometida.

Realmente, essa a missão dos poetas, quaisquer que tenham sido seu
tempo e seu espaço: "dirigem os mortais à terra prometida..."


in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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