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" A Cigana "
Alexandrina Scurtu
1881 - ?
De que tela surgiste, ave, sereia e flama,
toda feita de luz e carne? Os teus olhares
nas olheiras de fogo acendem a fagulha
do amor e da paixão, da febre e da saudade.
Quando o teu passo acaricia a pedra ardente,
teu colar, que cintila em teus seios morenos,
vibra como uma voz dentro de uma mesquita
conclamando os fiéis para a oração da tarde.
E teu corpo e teus nervos ágeis de pantera
não lembram imortais danças de baiaderas,
sob as flutuantes, roxas calças nebulosas?
Em teu véu uma rosa entreabre-se, e pareces
com tua juventude em flor, tão palpitante,
uma chama que baila e que desceu do sol
Tradução de Nélson Vainer
Alexandrina Scurtu. Nasceu em 1881.
Começou a escrever em 1918, e publicou dois
volumes de poesias, intitulados: "Sonetos",
entre os anos de 1920 e 24. É uma das mais
conhecidas poetisas romenas. Deixou grande
parte de sua obra esparsa pela imprensa.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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