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Vitorino Nemésio
1901-1978

"Indício Velado"


Não toques, distância, no seu cabelo molhado;
não lhe mexas. Rosto puro, às águas posto e preso,
uma imagem será o seu único peso,
um pensamento o único beijo que me há dado.

Que o Índico persiga o indício velado;
decore o Mar Vermelho o forte rosto aceso -
mas não para morrer: para menos desprezo;
e eu próprio fique em meu amor atenuado.

Oh! platônico amor de ninguém e de alguma,
espectro que criei e rodeei de lágrimas,
Vênus ainda ao longe no aro da minha espuma!

Imagem, força de vontade, imagem viva
ou morta, não sei; imagem acre... mas
verdadeira e suave, isso mais que nenhuma!

Victorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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