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Sofia de Melo Breyner Andersen
Contemporânea - 1919
"Soneto (Esperança)"
Desespero e esperança de alimento me
- servem neste dia .em que te espero,
e já não sei se quero ou se não quero
tão longe de razões é meu tormento.
Mas como usar amor de entendimento?
Daquilo que te peço desespero
ainda que mo dês - pois o que eu quero
ninguém o dá senão por um momento.
Mas como és belo, amor, de não durares,
de ser tão breve e fundo o teu engano,
e de eu te possuir sem tu te dares.
Amor perfeito dado a um ser humano:
também morre o florir de mil pomares
e se quebram as ondas no oceano.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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