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Sofia de Melo Breyner Andersen
Poetisa contemporânea, nasceu no Porto, Portugal, em 1919.
Estreou em 1944 com o livro: "Poesia". De lá para cá, nestes
vinte anos, vem aumentando sua bagagem literária com outros
volumes, conquistando um lugar de destaque na moderna poesia
de sua pátria. Opinião da crítica: "possui limpidez formal,
virtualidade imaginosa, pureza de conteúdo".
Obra: Dia do Mar, Coral, No Tempo Dividido, Mar Novo.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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Sofia de Mello Breyner Andresen ganha Prêmio
Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana
Já aqui falei em tempos de Sophia de Melo Breyner.
Traz-me aqui hoje novamente esta escritora cujo trabalho
é considerado de enorme valor literário e um contributo
de peso para as letras portuguesas.
No dizer da escritora Alice Vieira, Sophia é sinônimo absoluto de poesia:
Dizemos «Sophia» como se esta palavra fosse sinônimo absoluto de poesia.
Dizemos «Sophia» e a nossa memória enche-se do som que as palavras têm.
Dizemos «Sophia» e de repente o ar é límpido, as águas transparentes, há
sempre uma casa na falésia e o sol faz rebentar o calor na cal das paredes.
Dizemos «Sophia e todas as flores e todos os peixes têm nome, e as crianças tornam-se
mais ricas quando os encontram. Dizemos «Sophia» e não precisamos de dizer mais nada."
Nasceu no Porto no longínquo ano de 1919, estudou Filologia Clássica na Faculdade de Letras de Lisboa mas não terminou o curso e regressou à cidade invicta. Aqui conhece aquele que viria ser o seu marido, Francisco de Sousa Tavares e partem novamente para Lisboa.
Desse casamento para toda a vida, nascem cinco filhos.
Os seus primeiros rabiscos de poesia surgem aos 12 anos e em 1944 publica o seu
primeiro livro "Poesia".
Ao longo de quase sessenta anos deu-nos centenas de pedaços de fantasia, doçura e sonho, mas também muita lucidez. O mar, um dos seus temas prediletos pode ler-se em muitos dos seus poemas, muitos dos seus contos.
"Dia do Mar" (1947), "Coral" (1950), "Mar Novo" (1958), mais recentemente "Navegações" (1983), "O búzio de cós e outros poemas" (1997) são alguns exemplos desse mar de que ela tanto gosta.
Mas Sophia escreve também histórias de sonho para crianças... Quem não se lembra de
"O Rapaz de bronze", de "A menina do mar" e de "Contos exemplares"?
Andou também pelo teatro onde escreveu duas peças, uma delas para crianças, " O Bojador".
Também ensaísta debruçou-se sobre nomes como Miguel Torga e Camões; traduziu Dante e Shakespeare.
Para além da escrita, teve um papel ativo na atividade política, foi deputada
pelo Partido Socialista à Assembléia Constituinte em 1975 e uma lutadora
pela democracia, pelas causas da liberdade e justiça.
Recebeu inúmeras distinções nacionais e estrangeiras ao longo da sua carreira como escritora. Realce para o Prêmio Camões em 1999,
Prêmio Rosália de Castro do Pen Club Galego em 2000
e em 2003 aquele de que aqui agora damos conta.
Ficam aqui alguns excertos da sua obra. Espero que gostem.
Boas leituras...
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
ESPERO
Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
In
"A Fada Oriana"
Artigo de Cristina Bernardo
Extraído do site:
http://www.cm-castanheiradepera.pt/ocastanheirense/1750/literaria.htm
Novembro 2003
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