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Reis Quita
                        (Alcino Micénio)
                                 1728 - 1770

Domingos dos Reis Quita é hoje um dos muitos esquecidos poetas arcádicos
da Literatura portuguesa. Nascido em Lisboa.em 06 Janeiro de 1728,
de família humilde e numerosa, começou a trabalhar ainda muito novo
como cabeleireiro, para ajudar financeiramente a família.

Autodidata, conseguiu aprender francês, italiano e castelhano.
Leitor entusiasta de Camões, António Ferreira e Rodrigues Lobo,
começou por freqüentar os meios literários, conseguindo a nomeação para
bibliotecário do conde de S. Lourenço.

A amizade que travou com os poetas Correia Garção e Cruz e Silva
permitiu-lhe a entrada na Arcádia Lusitana, tendo então adotado
o nome literário de Alcino Micénio.

Poeta arcádico, prosseguiu a tradição do bucolismo português, tendo
introduzido entre nós o drama pastoril, de que é exemplo
a sua peça Licore, drama bucólico cuja ação decorre na Antiguidade.

 Na sua obra poética, encontram-se alguns elementos pré-românticos, por
influência do alemão Gessner, de que Reis Quita foi tradutor e um dos
introdutores em Portugal. Tentou imitar a tragédia clássica,
chegando a ter algum êxito com a sua versão de "A Castro", versão em três atos
que respeitava a regra das três unidades — tempo, ação e lugar — da tragédia
clássica francesa. No entanto, esta sua versão não conseguiu ser mais
do que uma pálida imitação do original de António Ferreira.
 
Morreu vitimado pela tuberculose e na miséria, depois de ter perdido a
proteção do seu mecenas, condenado pelo marquês de Pombal, e de ter visto
os seus escassos bens destruídos pelo terremoto de 1755.
Passou os seus últimos dias recebendo cuidados daquela que havia
amado e cantado, em versos de um lirismo pungente, sob o pseudônimo
de Tirceia, Teresa Teodora de Aloim.

Além de sua obra poética, constituída de sonetos, odes, éclogas
que encontra-se reunida em dois volumes, sob o título Obras Poéticas (1766),
deixou também quatro tragédias: Inês de Castro, Astarto, Megara e Hermione.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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