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“Soneto” (Voltaste)
                    Nunes Claro
                      1878 -1948

Vieste tarde, meu amor! Começa
em mim caindo a neve devagar,
morre o sol, o outono cai depressa,
e o inverno, finalmente, há de chegar;

e, se hoje andamos juntos, na promessa
de caminharmos toda a vida a par,
daqui a pouco o teu amor tem pressa
e o meu, daqui a pouco, há de cansar.

Dentro em breve, por trás das velhas portas,
dando um ao outro só palavras mortas,
que rolam mudas pelas nossas vidas,

ouviremos, nas noites desoladas,
- tu, a canção das vozes desejadas,
eu, o chorar das vozes esquecidas!

Joaquim Nunes Claro

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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