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“Luto”
                        Maria da Cunha

                                              ? - 1917


Sinto-me só na vida. Inda há bem pouco, o mundo
me parecia estreito ao doido coração!
Uma luz se apagou... e ao doido moribundo
parecem largo espaço as tábuas de um caixão.

Uma luz se apagou... o lábio, se não ri,
cala no entanto a dor, o mal que me consome;
mostrei minha alma a Deus, e o luto que vesti
foi de lágrimas só, foi um luto sem nome.

Ó vida, como és triste, e mentirosa, e vã!
Como o teu rir engana, ó linda cortesã!
Um beijo teu nos custa os mais doridos ais!

Curva-te, alma rebelde, aquieta-te e padece!
Eu só desejo paz, descanso... ai! Adormece
meu coração doente, e não acordes mais.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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