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Júlio Dantas
1876-1962
"O Missal"
Dom Frei Estevão, irmão copista de Alcobaça,
hábito de bernardo, alma de franciscano,
morrera ao terminar o seu Missal romano,
obra prima de cor, de paciência e de graça.
Copiara-o em segredo, às noites, na luz baça
da lâmpada; e ninguém, nenhum olhar humano
vira essa, iluminura escondida há tanto ano,
letras de ouro e de mínio onde um mistério passa.
Mas era curioso o reverendo Abade:
mal o frade expirou, chama a comunidade;
procura-se o Missal, todos o querem ver,
e ao abri-lo, por fim, no altar para onde o levam.
reconhecem - horror! - que o Missal de Frei Estevão
era uma coleção de cartas de mulher.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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