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 Júlio Dantas
1876-1962

"
A Luva "

Quatro meses depois dessa hora dolorida,
Voltei, já resignado e quase sem rancor,
ao ninho onde viveu aquele imenso amor
que foi o gere amor de toda a minha vida..

Compreendi então - quanta imagem querida! –
que pode haver encanto e doçura na dor:
um perfume – era o teu - palpitava em redor;
dormia num sofá uma luva esquecida.

Uma luva e um perfume: é o que resta de ti,
dos beijos que te dei, do inferno que sofri,
do teu mentido amor de juras desleais.

Que fui eu, afinal, na tua vida intensa?
O perfume que voa e em que ninguém mais pensa,
a luva que se deixa e não se calça mais...


in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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