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" Sonetos XXIX"
José Terra
De resto, o que importa é não trair
a luz que nós buscamos e cintila
em nosso ouvido num rumor longínquo,
longe das fontes de angústia em que bebemos.
Não é a palavra amor que nos importa
é o sorriso inacessível dentro
da carapaça do ser que se defende,
o rio oculto sob o tempo e o espaço.
É esse rumor subterrâneo e lúcido,
o núcleo que arde para além
de tudo o que detectam nossos dedos.
É esse rosto desfigurado e súbito
que irrompe, que sobre nós explode
é esse fogo onde se elide a morte.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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