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"Desejo Romântico"
João Gouveia
1880-1947
Ter o meu lar num alto monte... Aí,
distante de ambições e de agonias,
ser teu... eu que não sei pra que nasci,
votar-te o meu amor e os meus dias.
Não ter paixão, ser razoável. Vi
que o excesso nos mata as alegrias.
Não ler, nem mesmo as sãs filosofias,
ser águia para os mais, pombo pra ti.
Manter-te com o suor da minha cara
tão pálida, de cera, que parece
como batida de um contínuo luar -,
ter uma azenha,(1) ao lado uma seara,
ter um filhinho louro como a messe
e tu na porta a dar-lhe de mamar.
1) Moinho movido a água.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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