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Florbela Espanca
1894 - 1930
" Soneto - Vitorioso "
Trazes-me em tuas mãos de vitorioso
todos os bens que a vida me negou,
e todo um roseiral, a abrir, glorioso,
que a solitária estrada perfumou.
Neste meio-dia límpido, radioso,
sinto o teu coração que Deus talhou
num pedaço de bronze luminoso,
como um berço onde a vida me pousou.
O silêncio, em redor, é uma asa quieta...
E a tua boca que sorri e anseia,
lembra um cálix de tulipa entreaberta...
Cheira a ervas amargas, cheira a sândalo...
E o meu corpo ondulante de sereia
dorme em teus braços másculos de vândalo...
Florbela de Alma da Conceição Espanca
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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