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Florbela Espanca
1894 - 1930
" Horas Rubras "
Horas profundas, lentas e caladas,
feitas de beijos sensuais e ardentes,
de noites de volúpia, noites quentes
onde há risos de virgens desmaiadas...
Ouço as olaias rindo desgrenhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
são pedaços de prata pelas estradas...
Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos...
vestiu-os o luar de sedas puras...
Sou chama e neve branca e misteriosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
ó meu Poeta, o beijo que procuras!
Florbela de Alma da Conceição Espanca
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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