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" Soneto - Horas Breves (*)"


                                            Diogo Bernardes 
                                                        (1520-1605)

Horas breves de meu contentamento 
nunca me pareceu quando vos tinha, 
que vos visse tornadas tão asinha, 
em tão compridos dias de tormento.

Aquelas torres, que fundei no vento, 
o vento as levou já que as sustinha; 
do mal, que me ficou, a culpa é minha, 
que sobre coisas vãs fiz fundamento.

Amor com rosto ledo, e vista branda 
promete quando dele se deseja, 
tudo possível faz, tudo segura:

mas, desde que dentro d'alma reina e manda, 
como na minha fez, quer que se veja 
quão fugitivo é, quão pouco dura.


(*) Este soneto, que indicações bibliográficas atribuem a Diogo Bernardes, 
("Flores do Lima", Lisboa, 1770 e "Os 150 mais célebres sonetos da língua
portuguesa", de José Schiavo, Rio 1963), é, praticamente, o mesmo soneto
CLXXX, de Camões, desta coletânea.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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