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"Ternura"
                                                David Mourão-Ferreira
                                                                    Contemporâneo - 1927


Puxo sobre os teus ombros o lençol 
que é feito de ternura amarrotada, 
da frescura que vem depois do Sol, 
quando depois do Sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade! 
Há restos de ternura pelo meio 
como vultos perdidos na cidade 
em que uma tempestade sobreveio... 

Começas a vestir-te lentamente, 
e é ternura também que vou vestindo 
para enfrentar lá fora aquela gente 

que da nossa ternura anda sorrindo... 
Mas ninguém sonha a pressa com que nós 
a despimos assim que estamos sós! 

David de Jesus Mourão-Ferreira
in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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