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Correia Garção
1724 – 1772

"Soneto – Marília, alva lua"


Três vezes vi, Marília, de alva lua
cheio de luz o rosto prateado,
sem que dourasse o campo matizado
a linda aurora da presença tua.

Então subindo a serra calva e nua,
de um íngrime rochedo pendurado,
os olhos alongando pelo prado,
chamava-a, mas em vão, a morte crua.

Ali, comigo vinham ter pastores,
que meus suspiros férvidos ouviam,
cortados do alarido dos clamores.

Tanto que a causa do meu mal sabiam,
julgando sem remédio minhas dores,
por não poder me consolar, fugiam.


Pedro Antonio Joaquim Correia Garção
in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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