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Conde de Monsarás
1853-1913
“Escravomania”
Mandas-me, cumpro. Eu sou o autômato modesto
que a tua mão dirige e o teu olhar fascina:
prende-se a minha vida à curva purpurina
de tua boca e à luz do teu sorriso honesto.
Só quero o teu amor (profundo amor!): de resto
em nada penso e creio. É esta a minha sina;
aos teus caprichos, flor, todo o meu ser se inclina
seguindo a sua lei traçada no seu gesto!
E nesta escravidão cujos grilhões abraço
e beijo tanta vez, alarga-se-me o espaço,
em que ouço alegremente os rouxinóis cantar.
Eu fiz do meu segredo um cárcere risonho,
oh! déspota gentil, embala-me este sonho!
Olha-me, eu quero luz! Fala-me! eu quero ar!
Conde de Monsarás - Antonio de Macedo Papança
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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