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Cândido Guerreiro
1872 - 1953


"Memento, Homo..."

Na sucessão das formas e das eras, 
química eterna, universal, tamanha, 
terei eu sido porventura a sanha, 
a hidrofobia de milhões de feras?

Mas a doce mulher que me acompanha? 
- Ó minha bem-amada, tu quem eras? 
Serias o clarão de outras esperas 
caindo em mim, - na pedra da montanha...

Ó coração, do meu – amparo e gêmeo,
na contingência que nos traz de rastros,
não pode haver castigo, nem prêmio.
Não me lembro do mal que fiz outrora,
tu que não te lembras, meu amor, agora,
de quando foste radiação nos astros.

Francisco Xavier Cândido Guerreiro
in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição - 1963

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