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Cândido Guerreiro
1872 - 1953
“Intangível”
No vôo em que me elevo a procurar-te,
mergulho no infinito, e até parece
que um murmúrio de cântico e de prece
me embala e vai comigo em toda a parte...
E toda a sombra má desaparece,
e toda a luz é para iluminar-te,
a música de Deus para cantar-te,
por ti se enflora a terra e o sol aquece...
Por ti que enches o mundo e não te vejo,
onda incorpórea e hálito disperso,
nuvem de sonho e fogo de desejo!
Por ti, que diluída no universo,
és o dulçor que encontro em cada beijo,
a hormonia que busco em cada verso!...
Francisco Xavier Cândido Guerreiro
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a edição
- 1963
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