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Camilo Pessanha
1867-1926

   
“Vem”

Desce em folhedos tenros a colina: 
- em glaucos, frouxos tons adormecidos, 
que saram, frescos, meus olhos ardidos, 
nos quais a chama do furor declina...

Oh vem, de branco, - do imo da folhagem 
os ramos, leve, a tua mão aparte. 
Oh vem! Meus olhos querem desposar-te,
refletir-te virgem a serena imagem.

De silva doida uma haste esquiva 
quão delicada te osculou num dedo 
com um aljôfar cor de rosa viva! . . .

Ligeira a saia... Doce brisa impele-a... 
Oh vem! De branco! Do imo do arvoredo... 
Alma de silfo, carne de camélia...

in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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