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Bocage
Manuel Maria Barbosa du Bocage
1765-1805

"Soneto 78"

S e é doce no recente, ameno Estio 
Ver toucar-se a manhã de etéreas flores, 
E, lambendo as areias, e os verdores 
Mole e queixoso deslizar-se o rio:

Se é doce no inocente desafio 
Ouvirem-se os voláteis amadores, 
Seus versos modulando, e seus ardores 
Dentre os aromas de pomar sombrio

Se é doce mares, céus ver anilados 
Pela quadra gentil, de Amor querida, 
Que esperta os corações, floreia os prados:

Mais doce é ver-te de meus ais vencida, 
Dar-me em teus brandos olhos desmaiados 
Morte, morte de amor, melhor que a vida.

Manuel Maria Barbosa du Bocage

in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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