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Aparição
                                        Bernardo de Passos
                                                          1876 – 1930

Vens á tardinha, pousas a meu lado, 
e a tua voz murmura como um canto... 
Ondeia em névoas de astros o teu manto... 
É um clarão do Além teu vulto alado! 

Ergues mãos as rosas do Passado, 
que ao seio apertas, lacrimosa, - enquanto 
elas derramam úmidas de pranto, 
o sangue dum amor crucificado... 

Jardim lilás e oiro, a tarde finda, 
toda a esfolhar-se em luz crepuscular... 
Vens quando é noite já, e dia ainda... 

Vens de enigma desta hora enternecida, 
quando a tarde é um beijo a soluçar, 
- um beijo em pranto, como a nossa vida! 

in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.   1966

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