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Antonio Nobre
(1867-1900)
“Soneto 5” – Floresta amiga
Íamos sós pela floresta amiga,
sob o incenso da Lua que se evola,
olhos nos Céus, modesta rapariga!
- Como as crianças ao sair da escola.
Em teus olhos já meigos de fadiga,
semi-cerrados como o olhar da rola,
eu ia lendo essa balada antiga
d'uns noivos mortos ao cingir da estola... (1)
A Lua-a-Branca, que é tua Avozinha,
cobria com os seus os teus cabelos
e dava-te um aspecto de velhinha!
Que linda eras, o luar que o diga!
E eu compondo estes versos, tu a lê-los,
e ambos cismando na floresta amiga...
(1) Fita larga que os sacerdotes usam por cima, da alva.
(Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa).
in
" Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - Vol. II - 1a ed.
1966
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